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A Tensão Criativa da Vida e os Papéis de Indivíduos, Líderes e Gestores

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Todas as tradições e todos os místicos que por aqui passaram afirmam que temos a semente da divindade, que ela habita em nós.

Como manifestação desta divindade em nós, todos nascemos com uma luz interna que chamo de “fogo primordial da vida”.

Esta luz tem poder intrínseco que cresce em potencialidade ao longo de nossos anos mais propensos a atividades e realizações, ao mesmo tempo em que se expande em desejo de atualização e de manifestação concreta.

Este desejo de atualização se manifesta através de duas forças primordiais: a vontade de ser e a vontade de fazer.A primeira anseia tanto por revelar aquilo que já trouxemos conosco, a nossa herança- os nossos atributos e identidade essenciais-, quanto por poli-los e expandi-los, qual uma rocha dura original em que o artista esculpe a sua obra magistral. Esta força tem direção interna, do mergulho solitário para o interior de nós mesmos que temos que dar ao longo da vida para a construção contínua daquilo que normalmente chamamos de nosso caráter. É tarefa dura e difícil, mas indispensável e altamente recompensadora. Quanto maior a autodisciplina para se empreender o esforço e a dedicação necessárias, mais forte, brilhante e poderosa é a obra, no caso, a identidade, o caráter. São tarefas típicas daquilo que o saudoso S. Covey em seu “Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes” chamava de tarefas que levam à Vitória Privada.força anseia por realização, e tem direção externa, é o construir a obra para o mundo. S. Covey na obra citada chama este conjunto de tarefas como aquele necessário à construção da Vitória Pública.

Estas forças precisam, contudo de alimentação e ordenação para que cresçam em poder e eficácia, sob o risco de fenecerem, e surgirem tribulações de natureza e intensidade diversas.

As tribulações podem ter nascedouro em duas fontes principais:

• Atividades em demasia, mas com pouco senso de direção e sentido- aqui, podemos até ter uma noção forte de que estamos realizando, e nos mantermos entretidos, distraídos, mas a eficácia é baixa;

• Baixo nível de realização, pouco trabalho, elã vital e criatividade fenecendo.

Se tomarmos a figura de uma fogueira como metáfora de alimentação do fogo da vida, poderemos ter três casos principais distintos:

• Combustão pobre, em que há fumaça e o risco do fogo se apagar está ameaçadoramente presente, característico de uma vida vazia, sem sentido e de pouco trabalho, que, em casos extremados, pode resultar em doenças da alma, como a depressão, ou físicas, quando o corpo somatiza;

• Combustão rica em excesso, característico de uma vida cheia de atividades, mas pouco integrativas, que levam à exaustão e, também, a perda de perspectiva e sentido, trazendo consigo o risco de doenças e de que o fogo da vida se apague também;

• Combustão ideal, em que os esforços estão integrados, na quantidade certa e segundo uma direção e sentido bem definido, porque escolhido- aqui, estamos em equilíbrio interno, gerando luz, calor e força sustentáveis e benignos, “… ardendo sem se queimar”, como disse certo filósofo.

Como produzir a combustão ideal para geração de luz, calor e força interior que se projetam para fora como poder sustentável e benigno é a tarefa principal e desafio permanente da vida inteira de todo ser humano.

Esta tarefa consiste em fazer a ordenação e prover a direção e sentido para onde o “fogo” de cada um de nós mais se inclina e aponta. Trata-se de identificar a plataforma onde reside a nossa herança holística marcada pelo conjunto de pendores que se nos apresentam ao longo da vida e caracterizam os nossos chamados internos. Neste terreno, rico em valores, que por isso toca a cada um de nós de maneira bastante especial, deve começar o que chamo de “a trilha” de cada um.

A tensão criativa da vida se instala quando projetamos uma ponte ou um caminho entre o terreno onde o nosso “fogo” mais brilha e o que o mundo e a vida pedem, que guardam sintonia e harmonia especiais com o nosso “fogo”, algo magnético que nos atrai naturalmente.

O que o mundo e a vida pedem pode ser espelhado na VISÃO pessoal ou organizacional, e a ponte ou o caminho, o que será feito para chegar lá pode ser gravado na MISSÃO de cada um.

O líder em nós ou nas organizações é o visionário,  e o gestor é o executivo construtor do caminho. O primeiro sonha, aspira e inspira a direção, aponta o caminho a seguir, e instiga o fogo de cada um, inclusive o próprio- pois que todos temos que liderar minimamente a nossa própria vida. O segundo, com apoio do primeiro, pensa a estratégia, os sistemas e ferramentas, e “arregaça as mangas” para encetar a obra de construção do caminho, da MISSÃO, no rumo da VISÃO, o sol resplandecente que está sempre ali adiante para nos guiar. O líder cuida do transformacional, das mudanças paradigmáticas necessárias, das crenças que devem ser atualizadas- ou extintas para que surjam outras- e da manutenção do fogo individual e organizacional para que não se extinga. O gestor cuida do transacional, da concepção de sistemas, processos e ferramentas e de sua instalação e operacionalização. O líder cuida majoritariamente de eficácia, o gestor de eficiência. Eles não se excluem, se complementam, uma necessidade crucial.

O melhor líder é aquele que, também, é excelente gestor, e não dispensa a contribuição sempre necessária de outros gestores, integrando-os a um projeto que faça sentido a todos, a serviço de todos. O melhor gestor é aquele que aprende com líderes a liderar, e aprimora as suas qualidades naturais de líder, que todos temos, pois que o pilar fundamental do líder é o caráter e sua integridade.

O líder e o gestor habitam em nós,e devem ser realizados em sua máxima potencia possível em nós primeiro – a vitória privada -, para que possam se expandir nas relações e interações com o exterior, a família, a comunidade e as organizações – a vitória pública.

Resumo

  • Existe na vida uma tensão prenhe de criatividade e que pede por realização na vida privada – aprofundamento do ser – e pública – o fazer possível de cada um.
  • Ela é estabelecida entre as forças de tração, o que o mundo e a vida pedem, e as forças de empuxo de cada um, o que sentimos queremos realizar, o nosso propósito. Poderíamos chamá-las de VISÃO e MISSÃO pessoais ou organizacionais.
  • Ter boa clareza dessas forças e alinhá-las é grande responsabilidade pessoal e organizacional, é fator crucial e determinante de eficácia com eficiência, integridade com congruência, equilíbrio com felicidade.

Exercícios Propostos

  • Como está o seu fogo pessoal primordial?
  • Você tem uma VISÃO e MISSÃO pessoal?
  • Você as alimenta e se conecta com elas com a força de seus valores?
  • Quão alinhadas elas estão?

São Paulo, 21/10/2017

Joel Câmara

Diretor da CoaChange42
ICF- International Coach Federation ACC Coach Credentialed
Performance Executive Coach pela PCI– Performance Consultants International (London- UK)
Ex Presidente da Norsk Hydro Alunorte e Ex Plant Manager das Reduções de alumínio da ALCOA no Brasil.
Escreveu o livro “Conduzindo a própria mudança”

Nota:

Os exercícios acima são parte de um método que vai ajudá-lo a esboçar com régua, compasso e tinta próprios uma resposta-trajetória, um mapa pessoal de orientação, que lhe vai conferir um senso mais confortável de direção e de alinhamento internos, construtores no tempo de integridade e congruência pessoal, que ao mesmo tempo em que pacifica, forja coragem de e para ser e fazer o que deve ser feito, o que a vida te pede. Contudo, nunca espere por resposta exata, que a vida não é exata, mas por uma resposta-trajetória que lhe irá ampliando o seu próprio senso de significado e sentido pessoal, como uma bússola interna que já está em você.

Se você julgar que precisará de outrem para ajudá-lo a fazer a integração de todo este rico material, contrate profissional capacitado que seja de sua confiança, com conhecimento, habilidades e experiencia. Coaching se aplica aqui com perfeição. Estou a sua disposição.

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