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O que fazem os líderes?

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Vimos em “Quem são os líderes?” que estes são pessoas com profundo senso de destino a construir, pedra a pedra, tijolo por tijolo, com perseverança e labor. Embora a obra inclua o trabalho nas organizações, ou mesmo individual, como elemento da maior importância, ela transcende o trabalho e se orienta para a vida, a construção de valores humanos que a sustentem e façam avançar para patamares superiores, subordinando-se o trabalho a esta visão e meta. Por isto, tem régua, compasso e bússola que se orientam por princípios e valores. O líder viaja com um manual de bolso que consulta a toda a hora, e que lhe alerta para seguir o caminho da integridade- aderência a um código de valores- e da congruência pessoal- dizer o que genuinamente pensa, e agir de acordo com o que disse, buscando dar sempre o melhor exemplo pessoal. Aqui e desta forma começa o fazer dos líderes que querem construir uma empresa melhor e, acima de tudo, um mundo melhor.

Assim, o comportamento dos líderes segue o que eles são, sendo consequência natural de suas crenças e de seus paradigmas fundado em valores, que eles buscam revisitar e confrontar periodicamente, visando redefinição, atualização ou confirmação que consolida e, em qualquer dos casos, confere mais luz e força ao fazer.

Imaginando e seguindo um prédio em construção como metáfora de um modelo de liderança e gestão, os líderes fazem principalmente o seguinte:

A. Na construção do ser empresarial

• Preparam-se individual e intimamente no início e ao longo de cada jornada, o trabalho a empreender, o desafio a enfrentar e superar, elaborando e escrevendo o que chamo de “pacto pessoal”; • Cuidam ativamente dos aspectos mais poderosos do que constitui a identidade empresarial- os seus valores, a sua visão e missão. Cuidar aqui significa garantir que todos os conhecem e praticam, orientando o seu dizer e fazer na empresa pelo que estes elementos proclamam;

• Dependendo de sua posição na hierarquia da empresa, participam ativamente e tanto quanto podem influenciar da elaboração da estratégia empresarial;

• Traduzem a estratégia empresarial para as unidades sob o seu comando, fazendo isto de tal forma que a estratégia seja claramente compreendida por todos, e os inspirem e motivem o envolvimento, engajamento e comprometimento;

• Já na interface do ser e do fazer empresarial mais transacional- tarefa principal dos gerentes -, cuidam ativamente para que os sistemas de gestão de recursos humanos e de gestão dos talentos estejam bem assentados e consolidados. Muito importante: As pessoas são a base e pilares do fazer organizacional, e de sua qualidade humana e profissional- conhecimentos, habilidades e atitudes- dependem a eficiência e eficácia organizacional e empresarial. Os valores, visão e missão, assim como estratégia empresarial e planos que derivam dela, definem o perfil das pessoas de quem a empresa necessita para formar em seus quadros;

B. Na construção do fazer empresarial

• Erigem e mantêm ereto com o gerente que há neles e com os demais líderes e gerentes os pilares principais do fazer organizacional: os sistemas de gestão das operações e da eficácia organizacional- aqui se incluem dentre outros o sistema bastante particular e potente da produção e da gestão enxuta; o sistema de gestão diária, que traduz a missão empresarial em indicadores de performance bastante claros, e que mantêm toda a organização alinhada para atingir metas e objetivos; e o pilar que garante sistemicamente a PRESENÇA de todo o time de líderes onde as operações de qualquer natureza ocorrem, como costumo dizer, onde a geração de valor realmente acontece;

• Cuidam do “santuário” organizacional. Esta é a tarefa que julgo das mais importantes do líder, porque de natureza essencialmente transformacional, e por assim, geradora e construtora de afetos e atitudes de grande potencia motivacional, que são: significado, pertencimento, direção, senso de propriedade, senso de urgência e comprometimento. A tarefa consiste de continuamente e em ciclo que se renova realizar as atividades que se alinham e harmonizam com o que segue nesta ordem: compartilhar, envolver, engajar e alinhar toda a organização. O “santuário” e suas tarefas e rituais mantêm a organização continuamente preparada para fazer o que precisa ser feito, adaptar e mudar.

Nos próximos artigos, tratarei de cada um destes elementos do modelo de maneira mais detalhada.

São Paulo, 28 de outubro de 2015.

Joel Câmara
Diretor da CoaChange42.
Performance Executive Coach pela PCI- Performance Consultants International (London- UK) e Associate Certified Coach pelo ICF-International Coach Federation .
Foi Plant Manager das duas fábricas de aluminio da ALCOA no Brasil, e diretor industrial e presidente da Hydro Alunorte.
Escreveu o livro “Conduzindo a própria mudança”.

Leituras recomendadas: Conduzindo a própria mudança- Joel Câmara Conscious Business- Fred Kofman Leader of the Future- The Drucker Foundation Leadership Gold- John Maxwell Liderança Baseada em Princípios- Stephen Covey Liderando Mudança- John Kotter The effective executive- Peter Drucker

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3 comentários

Mais um excelente texto, Joel!

Já estou à espera do detalhamento prometido…

Abraço!

Obrigado, Cirlã! O detalhamento está a caminho…

[…] em “O que fazem os líderes” que os comportamentos dos líderes seguem o que eles são, sendo consequência natural de suas […]

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