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Sábados, domingos, feriados e carnavais… E Cultura Organizacional – Parte 1

Neste último fevereiro, conduzi um workshop de uma semana e dias inteiros para executivos de empresas e entidades ligadas à indústria em projeto de criação e instalação de cultura de um tema de grande potencial de geração de benefícios para a indústria nacional.

No exercício do preparo do manual do participante, slides de apoio e metodologias de aprendizagem ativa, visitei os autores seminais para lhes rever os princípios, fundamentos lógicos, as hipóteses e os resultados, ou seja, a epistemologia de Cultura Organizacional comparando-a, como sempre faço, com as minhas próprias referencias construídas em vivencia e experiência articulada de quase 30 anos de vida industrial.

Bastante envolvido ainda que estou nos desdobramentos das conclusões e do plano estratégico resultante já em execução, surgem-me estas reflexões articuladas em torno de um eixo coerente de um projeto de criação e instalação de cultura organizacional.

Ao deparar-se com o título deste artigo, o leitor que agora me lê poderá estar na melhor das hipóteses cheio de curiosidade e já ruminando as suas próprias hipóteses de pontes possíveis que possam gerar alguma coerência, convergência ou ligação qualquer entre os seus termos, e, na pior das hipóteses, já praguejando que “este cara só pode estar endoidando…”, já se preparando para me abandonar no próximo parágrafo.

Peço ao leitor um pouco de paciência para, antes de apresentar a ponte articulada que esclarece o título do artigo, introduzir algumas componentes básicas e fundamentais de conhecimento sobre Cultura Organizacional.

No profundo e esclarecedor modelo de Schein, ele propõe que a cultura de qualquer organização se apresenta aos olhos de quem observa em três níveis, todos de não tão fácil decifração. Eles “variam da mais tangível e aberta manifestação que você pode ver e sentir para os mais profundamente entranhados e inconscientes pressupostos básicos…” que ele apresenta como sendo a essência de cultura. Um resumo de cada nível é apresentado na figura a seguir:

Figura desenvolvida pelo autor do artigo baseada em Schein.

A figura acima nos revela que o motor mais poderoso de cultura reside em seus pressupostos básicos.

De posse desses importantes fundamentos, voltemos então ao título deste artigo, e façamo-nos a seguinte pergunta:

Que pressupostos estão tão entranhados na cultura que se afiguram como garantidos na expressão “sábados, domingos, feriados e carnavais…”?

Antes de ler o próximo parágrafo, faça você mesmo a sua própria lista.

E antes de apresentar a minha própria lista, deixe-me introduzir dois outros conceitos importantes ao tema de cultura organizacional, que são:

Valores Terminais: o estado final que queremos criar e estabelecer como benefício resultante de nossas ações.

Valores Instrumentais: que são instrumentais à obtenção dos valores terminais.

Sem exauri-la, porque existem outras perspectivas que abordarei nas próximas partes que escreverei deste artigo, aqui vai a minha lista inicial organizada segundo os conceitos acima, lembrando que ela é idiossincrática:

Instrumentais: lazer, ócio, tempo para a família e para os amigos, cinema, leitura, futebol, praia, alegria, descanso, horas a fio de sono…

Terminais: Afetividade, Renovação e Recriação.

E não poderíamos chamar tudo isto de VALORES HUMANOS?

E o que são valores senão a força potente original que de maneira idiossincrática está profundamente gravada em cada um de nós e que gera o conjunto de motivações que nos impulsionam para a ação?

São os valores que, prazerosos ou não (e isto é outra história), nos arrancam da cama para trabalhar, nos estimulam a ir ao cinema com nossas esposas ou namoradas, a estudar ou começar curso novo, a largar um emprego e recomeçar em outra empresa, ou mesmo carreira nova, dentre um sem número de comportamentos.

Isto posto, estamos prontos para fazer duas afirmações que estão na base fundamental de qualquer cultura organizacional, ou mesmo cultura de uma maneira mais ampla, como a cultura de um povo:

• Os valores são determinantes de comportamentos humanos, do que se conclui que…
• Os valores estão na base criadora e sustentadora de Cultura Organizacional.

Mas o que é mesmo cultura? Que cultura queremos criar e instalar? Que valores queremos adotar e praticar que sejam compatíveis com a cultura que queremos instalar? É mesmo possível criar e instalar cultura?! Como fazê-lo? Como torná-la sustentável? Quem são os principais players do processo?

São perguntas que buscarei responder nas próximas partes a escrever deste artigo.

É certo que existem outras pontes possíveis entre “sábados e domingos…” e Cultura Organizacional que se quer construir e tornar sustentável. Estou com muita vontade de poder apresenta-las aos leitores deste blog, portanto não percam os próximos artigos!

Por enquanto, fiquem com o resumo deste artigo que é: Os valores são determinantes de comportamentos humanos e estão na base fundamental de Cultura Organizacional, seja a que se quer instalar de maneira planejada (“by design”), ou qualquer outra, boa ou má, que está aí com vocês em suas organizações por mero acidente, “porque as coisas são assim…” (“by default”)…

São Paulo-SP, 13/03/16.
Joel Câmara
Diretor da CoaChange42.
Performance Executive Coach pela PCI- Performance Consultants International (London- UK) e ACC-Associate Certified Coach pelo ICF-International Coach Federation .
Foi Plant Manager das duas fábricas de aluminio da ALCOA no Brasil, e diretor industrial e presidente da Hydro Alunorte.
Escreveu o livro “Conduzindo a própria mudança”.

Leituras recomendadas:
Conduzindo a própria mudança- Joel Câmara
Organizational Culture and Leadership- Edgard H. Schein
Teoria das Organizações- Gareth Jones

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2 comentários

Joel, li o seu artigo e achei muito interessante. Tenho certeza que a cultura é um dos fortes fatores que influenciam em uma organização. Abraço do seu amigo da Alumar Rodrigo Mendes Pereira.

Caro Rodrigo, obrigado por sua participação!
Cultura organizacional é assunto crucial, não tão complexo quanto parece, mas dificílimo de gerir de maneira competente, pensada e estruturada.
Cultura, toda organização terá…e ela poderá ser efetiva ou pouco efetiva, ou inefetiva…a grande questão é se a liderança está fomentando e instalando a cultura que a organização e o negócio pedem à luz de um contexto histórico e de uma identidade empresarial muito bem pensada, projetada e instalada no dia a dia, tendo por fundação o conjunto (não suficientemente bem acolhido e tratado de um modo geral nas organizações) da Visão, Missão e seus Valores. Ou seja, “by design…”
Abraço para você e amigos ex-alcoanos/alumarenses!

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