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Dificuldades na Navegação

Em “Um modelo para a navegação pela vida”, apresentei os elementos essenciais para a construção de um mapa geral de orientação, a carta náutica para orientar a navegação. Ele se baseia em ideias que foram popularizadas particularmente no início da década de 1990, sobretudo no mundo empresarial, por autores como o saudoso Stephen Covey, que em seu clássico “Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes”, de 1989, e para fundamentar o Hábito 2 do “Comece com o objetivo em mente”, pontuava que “A forma mais eficaz que conheço para começar com o objetivo em mente é desenvolver uma missão pessoal…”. Ele acrescentava que a missão deveria se concentrar “… naquilo que a pessoa deseja ser (caráter) e fazer (contribuições e conquistas), e nos valores ou princípios nos quais o ser e o fazer estão fundados”.

Assim, para navegar com um senso de direção e sentido, cada um de nós terá que elaborar a sua própria rota. Aí começam as dificuldades, que podem ser ou se tornar imensas para todos nós nas diversas etapas da navegação, no tempo da vida.

Por experiência própria e centenas de horas de coaching de pessoas do mundo todo, tenho classificado estas dificuldades nas categorias as principais das quais nomino da seguinte forma: de motivação interna original, de destinação, de recursos e de auto-confiança.

Na dificuldade de motivação interna original, desconhecemos os nossos desejos mais profundos, a nossa fogueira interna que nos fornece luz, calor e potência propulsora original. Este desconhecimento gera muita confusão e nos faz adotar falsos desejos, ou desejos menores. Nilton Bonder, em seu excelente “Código Penal Celeste”, alerta para isto dizendo que “Produzimos constantemente uma infinidade de falsos quereres que funcionam como uma ausência. Iludidos pela multiplicidade de ‘quereres’, nos desconectamos do querer do momento. Esse querer é a manifestação da centelha vital”.

Nas dificuldades de destinação, identifico alguns tipos entre os quais destaco os principais: não sabemos para onde queremos ir, ou já sabemos que escolhemos uma destinação que sentimos ou sabemos não ser ecológica, ou seja, verdadeira e congruente.

Quando não sabemos para onde queremos ir, ou podemos estacar parados, ou nos deixar ir ao sabor dos ventos e correntes dominantes. Aqui, provavelmente não há uma missão clara, ou um propósito que seja congruente com esta missão, de modo que não há sequer energia para estabelecer metas e objetivos por que se esforçar para atingir, ou serão incongruentemente estabelecidos, passíveis então de não receberem a atenção focada que requerem.

Quando já sabemos que escolhemos uma destinação não ecológica – escolher a profissão que dá mais dinheiro, ou a área ou departamento da empresa que confere mais visibilidade e prestígio, por exemplo, ao invés daquela para que sentimos ter pendor, vocação e talentos mais compatíveis -, pode redundar em desempenho não compatível no curto prazo, sensação de falta de prazer ao longo do caminho, e grande frustração no longo prazo. Stephen Covey, na obra já citada, pontua que “É incrivelmente fácil ser pego pela ilusão da atividade, na correria da vida, e trabalhar cada vez mais para subir a escada do sucesso, só para descobrir que esta escada estava apoiada na parede errada”. Conclui realçando que se pode viver muito ocupado sem se ser eficaz.

Em qualquer empreitada da vida, há que haver recursos, materiais e imateriais, a bagagem que carregamos conosco, os principais dos quais são os conhecimentos, experiências e habilidades. Aqui também cabe citar como recurso o desenvolvimento de uma estratégia, que é de maneira simplificada o caminho mais eficaz para se chegar aonde se quer chegar. Assim, a dificuldade de recursos sempre se apresenta quando não os temos na medida necessária. Cabe lembrar aqui que nunca teremos tudo, e que alguns desses recursos serão desenvolvidos na própria jornada. A consciência ou suspeita disto faz as pessoas frequentemente empacarem na falta de confiança.

Um caso muito peculiar, mas não pouco frequente, é quando temos tudo em boa medida, e, ainda assim, estamos empacados. Estamos diante da dificuldade de confiança, ou mais precisamente de ausência de autoconfiança. Isto se relaciona com a questão crucial de como nos relacionamos conosco, os nossos paradigmas pessoais. Covey, na mesma obra, ensina que o paradigma mais fundamental de nossa eficácia é o nosso paradigma pessoal, o modo como nos vemos a nós mesmos, que “… afeta não somente nossas atitudes e comportamentos, mas também o jeito como vemos as outras pessoas. Ele se torna nosso mapa da natureza básica da humanidade”.

Cabe aqui dizer que nunca teremos certeza absoluta de nada. Nilton Bonder, rabino da Congregação Judaica do Brasil, no seu magistral “Código penal celeste”, alerta para isto dizendo que “ Os limites do ‘eu’ estão em preservar o livre-arbítrio. E essa liberdade de arbitrar depende da flexibilidade e da fluidez somente encontrada naquilo que não é certo e absoluto”.

Existirão muitos momentos da vida em que já munidos de um conjunto grande de recursos e informações, mas não de toda a certeza, o que teremos que fazer será somente tomar uma decisão, “bater o martelo”, como se diz. José Luiz Tejon, em seu belo livro “O código da superação” nos ensina que “Todo o resultado é consequência de um processo que começa quando decidimos. A decisão é o ponto libertador. Para decidir libertariamente, precisamos sair das trevas do reino das distrações”.

Finalmente, cabe destacar que todo este processo de identificação e encaminhamento de soluções que levam a mudanças importantes e necessárias, é, por excelência, terreno para um bom coaching.

Joel Câmara
Diretor da CoaChange42.
Performance Executive Coach pela PCI- Performance Consultants International (London- UK) e Associate Certified Coach pelo ICF-International Coach Federation .
Foi Plant Manager das duas fábricas de aluminio da ALCOA no Brasil, e diretor industrial e presidente da Hydro Alunorte.
Escreveu o livro “Conduzindo a própria mudança”.

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